Dissertação discute desafios contemporâneos da regulação financeira

April 12, 2015

Está marcada para o dia 23 de abril de 2015, às 14h, a defesa, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Direito da UnB, da dissertação intitulada “Direito e Economia da Regulação Financeira: Debates Recentes”, de autoria de um pesquisador do GDES, Marcio V. C. Valadares.

O trabalho de Marcio Valadares é de interesse especial para os membros do GDES, pois descreve e explora literatura relevante sobre a regulação dos mercados financeiros contemporaneamente e discute alguns importantes desafios que se apresentam nessa área para os juristas.

A problemática sobre a qual se debruça o trabalho de Marcio Valadares relaciona-se ao fato de que tem sido frequente, no Brasil e em muitos outros países, a subordinação da elaboração de vários aspectos da regulação de mercados financeiros a pressupostos correspondentes às seguintes teses: (i) os mercados financeiros são eficientes, e por isso deve-se deixar a eles, preferencial ou exclusivamente, o papel de decidir sobre alocação de recursos na economia; e (ii) instituições associadas à tradição do direito anglo-americano apresentam uma eficiência maior em comparação com a ambientes econômicos vinculados à presença de instituições jurídicas de tradição civilista.

Contudo, recentemente, Read the rest of this entry »


Ajuste fiscal e fruição de direitos

April 2, 2015

Como todos sabem, desde o início de 2015, o governo brasileiro passou a introduzir modificações importantes em sua política econômica, dando uma “guinada” em relação às políticas adotadas em 2014. Em vista da realização das eleições de outubro de 2014, a guinada certamente pode ser lida, em parte, como expressão do chamado “ciclo político-econômico” (political business cycle em inglês; ver post sobre o assunto aqui).

ajuste_fiscal (Infográfico-a Estadao 28 mar 2015)

Infográfico sobre o ajuste fiscal – O Estado de São Paulo – 28 mar 2015

As reformas anunciadas em 2015 correspondem ao que tem sido tratado como “ajuste fiscal”, compreendendo medidas destinadas a diminuir despesas e aumentar receitas do Estado. Certamente, para boa parte dos economistas e da mídia, trata-se de um conjunto de medidas “técnicas” adotadas para evitar algo como um descontrole da economia nacional e a ocorrência de eventuais “turbulências” em diversos de seus mercados.

Contudo, o tema do ajuste fiscal, na atual conjuntura, gerou diversas reações políticas no Congresso. Vários parlamentares manifestaram resistência à proposta de aprovação de medidas compreendidas no ajuste fiscal. Curiosamente, até mesmo parlamentares do partido da Presidente da República criticaram as reformas pretendidas pelo governo, indicando, provavelmente, uma perda estrutural da capacidade de liderança das forças políticas que têm tido sucesso eleitoral desde 2002 (ver análise aqui). Entre economistas, obviamente, logo ficaram patentes divergências sobre o que fazer. Assim, por exemplo, o economista João Sicsú, escreveu:  “Ainda que a situação fiscal no Brasil seja muito ruim – o que é um exagero ideológico – políticas de austeridade não serão a solução” (ver aqui).

O que parece faltar no debate é um foco sobre como e em que extensão reformas tais quais as pretendidas pelo governo obstaculizam a fruição de direitos, muitos dos quais são reconhecidos como “direitos fundamentais” e mesmo “direitos humanos”.  Este é um aspecto  Read the rest of this entry »


Com interesse na análise jurídica, artigo discute abordagens institucionalistas da economia

March 23, 2015

[click here to read this post in English]

Hugo Pena e Marcio Valadares há poucos meses publicaram o artigo com o título: “Desdobramentos Jurídicos Contemporâneos na Literatura Institucionalista sobre Desenvolvimento” (link aqui). Trata-se de uma contribuição de pesquisadores do GDES sobre uma temática desafiadora para a questão de como se pensar as relações entre direito e economia, num contexto em que a chamada “ortodoxia” econômica tem sido intensamente contestada.

Embora, no passado, abordagens como a do chamado “antigo institucionalismo” de Veblen,  Commons e Mitchell, bem como a da “Escola Histórica” e G. F. List tenham alimentado debates entre economistas, nas primeiras décadas do século XX, a preocupação com instituições deixou de ser um assunto prestigiado entre os que propulsionaram a evolução da chamada “ciência” econômica em sua configuração “neo-clássica”. Foi o conjunto de noções sobre a economia típica da abordagem “neo-clássica” que se tornou a doutrina hegemônica, acadêmica e profissionalmente, entre economistas, num processo que se desdobrou desde que Alfred Marshall fundou a escola dos “Cambridge Neo-Classicals”. Curiosamente, a partir dos anos 1950 e 1960, o tema das “instituições”, vistas historicamente, penetrou a disciplina da economia, mas a partir de um ângulo fornecido inicialmente pela combinação da teoria neo-clássica dos preços com a econometria estatística, uma combinação capitaneada pela Cliometria. Foi a partir daí que se tornou importante o contraste entre o “antigo” institucionalismo e o “novo”, no estudo de temas econômicos. Além disso, o próprio “novo” institucionalismo dividiu-se mais tarde em duas vertentes, sendo uma de caráter mais histórico (um campo que tem como referência de destaque os trabalhos e visões de D. North e seus colaboradores), e outra, que procura estruturar suas pesquisa a partir da noção de “custos de transação” (e aqui os trabalhos de O. Williamson, propondo ultrapassar o que o autor enxerga como limites da abordagem de R. Coase, têm servido para orientar boa parte dos debates).

Mais recentemente, vários outros autores, incluindo E. Reinert, Ha-Joon Chang, D. Acemoglu, a partir de diversas influências, também trouxeram a preocupação com instituições para o centro das discussões sobre assuntos econômicos. A esse quadro ainda se acrescentam ideias de cientistas políticos que trabalham na fronteira entre a sua disciplina e a economia, com base em diversos (e por vezes antagônicos ) pressupostos.

Esse é, de certo modo, o pano de fundo das discussões, análises e interpretações oferecidas por Hugo e Marcio. O resumo do seu trabalho é o seguinte:

O artigo objetiva situar desdobramentos jurídicos contemporâneos no debate sobre desenvolvimento com duas vertentes da literatura institucionalista, caracterizada como literatura dos ambientes institucionais e dos arranjos institucionais. Num primeiro momento, o texto diferencia abordagens “de mercado” e abordagens “institucionalistas” acerca do desenvolvimento. Em seguida, apresenta os principais contornos das abordagens dos ambientes institucionais, com foco nas ideias de Douglass North, e dos arranjos institucionais, voltando a atenção a contribuições de Ha-Joon Chang e de Peter Evans. Em seguida, procede-se à descrição dos principais contornos da Análise Econômica do Direito, do Novo Direito e Desenvolvimento e da Análise Jurídica [da Política] Econômica, que são perspectivas jurídicas interdisciplinares sobre instituições e desenvolvimento. Dado que o desenvolvimento é multifacetado, a contribuição que o artigo propõe apresentar é a aproximação de debates que se desenrolam em áreas diferentes, e em especial, promover contatos entre perspectivas econômicas e jurídicas acerca do papel das instituições no desenvolvimento.

O trabalho de Hugo e Marcio certamente interessará aos demais membros do GDES, além dos que procuram se situar diante do desafio de perceber antigas relações (ou a falta delas) – e a construção de novas – entre o direito como abordagem institucional e a economia, em especial a economia de mercado contemporânea.

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Post conexo: Defesa de Dissertação sobre ‘Direito e Desenvolvimento’ – publicado em 13 abr 2013


Dissertação estuda o Plano Nacional de Banda Larga

April 28, 2014

Amanhã (29-abril-2014), às 15h, na sala A1-04 do prédio da Faculdade de Direito (FD) da Universidade de Brasília (UnB), ocorrerá a defesa da dissertação de Daniele Kleiner Fontes. O trabalho tem o título:  “Universalização da Internet Banda Larga no Brasil: O Plano Nacional de Banda Larga sob a Perspectiva da Análise Jurídica da Política Econômica – AJPE”.

Daniele é mestranda da FD/UnB e participante do Grupo Deito, Economia e Sociedade (GDES). Desde o início de 2013, Daniele vem pesquisando o seu tema (ver aqui). O resumo da dissertação, reproduzido a seguir, dá uma ideia do trabalho realizado:

RESUMO: O Brasil busca superar seu quadro de exclusão digital por meio de uma política pública ampla para massificação do acesso ao serviço de banda larga: o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Embora o PNBL seja um passo importante, ele não tem refletido as expectativas da sociedade civil, isto é, o que a sociedade compreende como adequado ou mesmo “justo” em termos de fruição de um serviço de banda larga de qualidade. Diante disso, esta dissertação procura mapear as críticas formuladas em relação ao PNBL nos diversos discursos da sociedade civil, seja por entidades da sociedade civil, seja por órgãos técnicos e governamentais, a fim de verificar possíveis falhas na política pública em questão. Utilizando-se da Read the rest of this entry »


The SPI may be useful — if handled with care

April 16, 2014

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Hugo Pena, a doctoral student of the Graduate Program of the University of Brasília Law School, and a member of the LESG, offers his views on how the “Social Progress Index” can be useful to those working in the perspective of the Legal Analysis of Economic Policy.

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The Social Progress Index

By Hugo Pena

In this post I offer a short assessment of the “Social Progess Index” (SPI) and try to highlight how it may be useful (or may be a shortcoming) to legal scholars interested in the LAEP approach to legal analysis.

The LAEP approach proposes a rights-in-fruition analytical perspective. One of its analytic tools for evaluating public policy is positional analysis (see here, p. 13-18 [updated link here]), which involves decomposing rights into observable, measurable components. In both aspects, lawyers using LAEP might profit from a glance at the “Social Progress Index” (SPI) website. But the use of the SPI may also have some pitfalls.

Rights-in-fruition. Instead of measuring social progress through public expenditure in education, health or housing – regarded as “inputs” – the SPI favors “outputs”. For instance, “access to basic knowledge” is measured through adult literacy rate, primary, secondary and upper school enrollment, as well as gender parity in secondary enrollment. Countries are thus ranked in their performance in education not according to how much they spend, not even by what percentage of the budget they commit to it, but by observed results. Therefore, SPI data may be useful to legal scholars working under the LAEP approach.

Decomposing rights fruition into indicators. The SPI website might also be an inspiration for LAEP lawyers seeking ways to measure Read the rest of this entry »


O IPS pode ser útil — se manuseado com cautela

April 15, 2014

[Click here to read this post in English]

Hugo Pena, um estudante de doutorado do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília e membro do GDES, oferece abaixo sua visão da utilidade que o “Índice de Progresso Social” pode ter para pesquisadores da área do direito que se interessam em trabalhar na perspectiva da Análise Jurídica da Política Econômica.

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Índice de Progresso Social  

por Hugo Pena

O objetivo deste texto é fazer breve avaliação do Índice de Progresso Social (IPS – em inglês, Social Progress Index), buscando destacar suas utilidades e limitações para juristas interessados na abordagem da AJPE.

A perspectiva da AJPE enfatiza a fruição empírica de direitos.  Uma de suas ferramentas para avaliar políticas públicas é a análise posicional (vide aqui, p. 13-18), que envolve a decomposição de direitos em componentes observáveis e mensuráveis.  Em ambos os aspectos, uma visita à página do IPS pode ser proveitosa a juristas que trabalhem com a AJPE.  O uso do IPS, no entanto, exige cautela em certos pontos.

Fruição empírica de direitos. Ao invés de medir progresso social com base nos gastos públicos em educação, saúde ou moradia – considerados “inputs” –, o índice procede com base em “outputs”.  Por exemplo, o “acesso ao conhecimento básico” é medido por uma cesta de indicadores que compreendem percentuais de alfabetização em adultos, matrículas no ensino primário, fundamental e médio, bem como paridade de gênero no acesso ao ensino médio. A classificação do desempenho em educação nos países é feita de acordo com resultados obtidos, e não a partir do quanto é gasto, nem dos percentuais reservados no orçamento.  Portanto, dados do IPS podem ser úteis a juristas que trabalhem com a AJPE.

Decomposição analítica de direitos.  A página do Índice de Progresso Social também pode servir como inspiração a juristas da AJPE que estejam procurando meios para medir a fruição de direitos em determinado setor ou tema.  O Índice envolve três Read the rest of this entry »


Dissertation elaborates legal analysis of Brazil’s Individual Microentrepreneur Program

March 20, 2014

[Click here to read this post in Portuguese]

Albério Júnio R. de Lima, a student working towards his LL.M. degree at the University of Brasília Law School and a member of the Law, Economy and Society Group (LESG) will present on March 27, 2014, his recently concluded dissertation, entitled (original in Portuguese): “The effectiveness of the Individual Microentrepreneur Program, in the perspective of the Legal Analysis of Economic Policy, with a focus on the right to production” (download — text in Portuguese)

Index of Empirical Effectiveness (IEE)

Index of Empirical Effectiveness (IEE)

Albério’s dissertation exemplifies how the legal analysis of economic policies may be enriched and benefit from conceptual innovation by using reconstructed analytical categories such as those described and discussed in publications and activities of the LESG. In his dissertation, Albério analyzed several aspects of the policy he selected as a focus of empirical investigation (the Individual Microentrepreneur Program — IMP, introduced by federal law in Brazil and managed by experts of the Brazilian federal government). Albério also elaborated an “index of empirical effectiveness” (see image above) of the right to commercial property of program-affiliated individual microentrepreneurs in Brazil.

The abstract of the dissertation is as follows:

 ABSTRACT: In a globalized world, characterized by constant transformation, legal analysis must be involved in the processes that promote change in the structure of society. Legal analysis must therefore partake in economic development. This means that, under conditions of globalization, it is important that empirically grounded legal arguments be elaborated in order to assist in the reform of public policies. Given the fact that labor markets have been affected by globalization, the International Organization of Labor and the Mercosur have been engaged in debates about issues such as unemployment rates and labor informality. As a consequence of these debates, Read the rest of this entry »


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