Sigilos em várias esferas dificultam busca por justiça econômica: novo livro oferece pesquisa relevante

November 9, 2011

Segundo Barry Eichengreen (ver, por exemplo, aqui) e outros autores, a operação do Padrão Ouro Internacional chocava-se contra os interesses de boa parte da sociedade, que à época era ainda destituída do direito ao voto. Hoje, vemos o mesmo choque de interesses repetir-se, derrubando governos, mesmo na presença do voto democrático ampliado.

Uma das dificuldades para tornar os mercados financeiros e a operação de empresas em geral convergentes com visões de “bem” ou “justiça” presentes  na sociedade está na amplitude de sigilos de que gozam que inúmeras operações financeiras, com o beneplácito da lei e do direito.  Para a discussão de um exemplo, referente à intransparência do mercado de swaps sob a legislação dos Estados Unidos (EUA), ver aqui.

Em boa parte, o amplo sigilo de que gozam as referidas operações decorrem da existência dos chamados paraísos fiscais. Informações acessíveis sobre Read the rest of this entry »

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Campanha global defende escolha menos elitista para chefe do FMI

May 17, 2011

Recentemente, um escândalo emergiu na mídia mundial sobre a prisão do Diretor Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn (DSK), acusado de agressão sexual a uma camareira de um hotel de luxo em Nova York (ver aqui). Com isto, formaram-se rapidamente expectativas de que deverá se encerrar abruptamente a carreira de DSK como político francês e como chefe do FMI.

Ao mesmo tempo, o acontecimento precipitou o surgimento de discussões sobre a substituição de DSK no FMI. O prestigiado Wall Street Journal defendeu que o posto de Strauss-Kahn deve ser dado a um representante de países emergentes (ver aqui). O governo brasileiro, ao que tudo indica, cobiça o posto, ou ao menos quer que o cargo deixe de ser controlado pelo G7 (ver aqui).

Paralelamente, a sociedade civil lançou Read the rest of this entry »


Reforma financeira e direitos subjetivos: cenário de incertezas

October 10, 2010

Os direitos subjetivos hoje existem em estado de fluxo, pois seu conteúdo (de modo correlacionado com a efetiva fruição) depende de múltiplos fatores, muitos dos quais são internacionais (ver exemplos aqui e aqui). Dentre esses fatores é chave o modo como se organizam os mercados financeiros e as operações financeiras transfronteiriças.

A importância disso para a fruição de direitos subjetivos em praticamente todo o mundo é tão crucial que o Fundo Monetário Internacional (FMI) recentemente fez um alerta sobre a possibilidade de “explosão de protestos sociais” decorrente da crise econômica (ver aqui). Obviamente, O FMI tem consciência dessa relação entre o papel das finanças internacionais e a fruição de direitos, pelo menos desde que o então economista do Banco Mundial, Joseph Stiglitz, descreveu, em 2001 (incidentalmente, o ano em que foi agraciado com o Prêmio Nobel de Economia), os “quatro passos” para a danação das economias que seguissem o receituário de reformas pregadas pela instituição (ver aqui).

A relação entre “boas” finanças no plano internacional e a fruição de direitos no plano nacional é tão verdadeira que os protestos vieram: Read the rest of this entry »


Corrida para o futuro 3: G-20 e outros atores reúnem-se em Londres

March 30, 2009

O G-20 financeiro fará uma reunião no dia 2-abr-2009,  em Londres, para tentar alinhavar um acordo político sobre pontos de reforma institucional que poderão mudar a maneira como as práticas financeiras — e diversas de suas relações com o comércio — passarão a existir no futuro previsível. A quantidade de informações sobre fatos e idéias em circulação é grande. O número de atores oficiais relevantes é quase o triplo do que os do antigo antigo G-7, que, desde a década de 1970 até agora, praticamente monopolizou Read the rest of this entry »


Poderá existir a especulação responsável?

March 23, 2009

Ninguém parece ter dúvida de que dois aspectos importantes da crise financeira de 2008, com prolongamentos até hoje, correspondem às regras sobre geração de informações contábeis e de gerenciamento de risco, seguidas por bancos e outras empresas. Estes tópicos serão brevemente abordados abaixo.

Gerenciamento de Risco

Já foi assinalado neste blog (ver aqui) que as agências de avaliação de risco como a Standard & Poor’s deveriam ser reguladas, uma reforma que parece estar agora sobre a mesa.

Uma outra circunstância, que também contribuiu para agravar a crise, ocorreu Read the rest of this entry »


Crise deflagra corrida para o futuro

October 8, 2008

Em meio à atual crise, ao que parece, está dada a largada na “corrida” de atores internacionais relevantes, que anseiam por participar da construção das novas bases institucionais da operação de segmentos importantes dos mercados financeiros — e de suas conexões com outros mercados.

Esses atores internacionais, por enquanto, incluem ao menos: Read the rest of this entry »


Regulação financeira privatizada

May 21, 2007

Segundo notícias recentes, os ministros de finanças do G8 (Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Inglaterra, Itália, França e Rússia), reunidos em 19 de maio de 2007 na cidade de Potsdam, na Alemanha,  não chegaram a um acordo a respeito da regulação dos fundos hedge, ou fundos multimercados. A ausência de acordo aparece na declaração oficial adotada por aqueles ministros e reflete a diferença entre autoridades de países como a Alemanha, favorável à regulação, e os Estados Unidos e a Inglaterra, partidários da chamada “auto-regulação“. Mas não será a “auto-regulação” uma forma de regulação privatizada?

O professor Howell Jackson, em artigo de 2001 (“Centralization, competition, and privatization in financial regulation”, publicado no periódico Theoretical Inquiries in Law), a respeito da evolução da regulação financeira e sua internacionalização, apontava três “modelos” básicos: (1) a regulação centralizada, (2) a competição entre autoridades reguladoras e (3) a privatização da regulação. Read the rest of this entry »