Reinventar os bancos

August 24, 2017

Frequentemente os bancos são criticados por se preocuparem exclusivamente em gerar lucros para seus acionistas, sem beneficiar – aliás, em muitos casos, prejudicando – a sociedade como um todo. Mas pouco se discute sobre como mudar o que os bancos fazem.

Estudos de antropologia econômica mostram que o modo como as moedas em certas culturas são usadas pode reforçar tradições e contribuir para avivar laços comunitários (ver aqui).

Um curso online oferecido pela organização sem fins lucrativos, edX, em parceria com o MIT, pretende ensinar como mudar os bancos, ou seja como reinventar o modo como os sistemas bancários funcionam no mundo contemporâneo. O curso, portanto, explora a ideia de que os bancos podem (e devem) ser organizados de modo a beneficiar pessoas e o meio ambiente.

Trata-se de uma discussão que mereceria ser fomentada num país como Read the rest of this entry »

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MAUSS iberolatinoamericano

September 21, 2009

Já foi apontado neste blog (ver aqui) que o Movimento Antiutilitarista nas Ciências Sociais (MAUSS, na sigla em francês) constitui um dos referenciais para o desenvolvimento da Análise Jurídica da Política Econômica (AJPE). Isto ocorre em virtude da abertura da AJPE para a interdisciplinaridade.

O movimento designado MAUSS tem se expandido, inclusive para a América Espanhola e para o Brasil. Assim sendo, vale a pena Read the rest of this entry »


Finanças, direito e multiculturalismo

October 22, 2008

Para a perspectiva do pluralismo institucional, em tese, as formas de organização da economia são em número infinito. As discussões sobre “múltiplas modernidades“, em princípio, são convergentes com isso.

No campo da organização das finanças, em contraponto com o “padrão” ocidental, há o exemplo proeminente das finanças islâmicas, que seguem princípios jurídicos da Sharia, conforme já indicado neste blog (ver aqui e aqui). Sob o direito islâmico, o significado e o alcance prático das atividades financeiras e suas conexões com a economia real adquirem uma feição diferente da que prevalece sob as instituições econômicas que têm como modelo Wall Street e a City londrina — desenvolvidas, por sinal, sob a influência histórica do protestantismo.

Recentemente, alguns especialistas em direito judaico, que é em grande medida apoiado no Talmude, no  Antigo Testamento, Read the rest of this entry »


Do dinheiro sujo ao limpo: indagações sobre a moral da economia

June 19, 2007

Entre as contribuições que a interdisciplinaridade pode oferecer à “Análise Jurídica da Política Econômica” (AJPE) estão as da Antropologia Econômica.

Neste campo, vale a pena mencionar as discussões em torno do contraste entre as economias da “dádiva” (uma referência ao trabalho seminal do antropólogo Marcel Mauss) e a economia de mercado, ou capitalista. Uma das obras que explora tais discussões é o livro Money and the Morality of Exchange [A Moeda e a Moralidade da Troca], organizado por J. Parry e M. Bloch (Cambridge University Press, 1989). O livro contém diversos estudos etnográficos sobre o uso da moeda em diversas sociedades e culturas. Read the rest of this entry »


O Anti-utilitarismo como Elemento de Interdisciplinaridade da AJPE

March 30, 2007

A análise jurídica da política econômica (AJPE) não se restringe a adotar cegamente a perspectiva de uma escola de pensamento econômico, como faz a Análise Econômica do Direito, que é dependente da escola “neo-clássica” de Economia. Ao contrário, a AJPE beneficia-se de contribuições de diversas abordagens existentes no debate acadêmico sobre o que a Economia, enquanto disciplina, é e deve ser.

Além disso, a AJPE incorpora análises e debates de outras ciências sociais, capazes de contribuir com argumentos de crítica construtiva, sobre as idéias e práticas políticas, jurídicas e sociais (locais e internacionais e suas interconexões) que contribuem para a formação da realidade em que vivemos. E sabemos que esta realidade não é boa em todos os seus aspectos (por exemplo, na pobreza, exclusão, guerras etc.). Read the rest of this entry »