Austeridade ontem e hoje: um vídeo sobre as ideias de Keynes

Como todos sabem, hoje, em vários países (inclusive no Brasil), os governos têm adotado as chamadas “medidas de austeridade”, com cortes em despesas não financeiras do Estado e medidas complementares. Entre as principais consequências de tais medidas, podem ser apontadas as seguintes: (i) o favorecimento dos interesses de quem controla massas privadas de capital financeiro e (ii) a concomitante precarização da fruição dos os chamados direitos econômicos, sociais e culturais. Neste último caso, são obstaculizadas práticas de consumo de crucial importância para a vida de indivíduos e grupos que formam, de longe, os maiores contingentes da população dos diversos países.

As “medidas de austeridade” são apresentadas pelos governos – e propagadas pela quase totalidade dos meios de comunicação corporativos – como necessidades incontornáveis, respaldadas por “conhecimentos” elaborados pela “ciência econômica”. O que recebe pouca atenção nos meios de comunicação de massa é o fato de que não há, entre economistas, um consenso sobre quais medidas de política econômica são as melhores para os diversos países no mundo hoje.

Para tentar apresentar ao grande público alguma diversidade de visões entre os economistas, a BBC produziu o vídeo acima, que aborda as contribuições das ideias de Keynes para o combate a situações de declínio da atividade econômica, tais como o desemprego. A apresentadora, no vídeo, aproveita para sugerir comparações entre a situação de estagnação econômica da época em que viveu Keynes e agora. Resulta clara a relevância das ideias do famoso economista para o enfrentamento de dificuldades econômicas contemporâneas.

Não espanta que a adoção de medidas de austeridade tenha suscitado firmes reações de economistas (ver, por exemplo, aqui, aqui e aqui) e também de juristas. Entre os exemplos de reações jurídicas estão diversos documentos produzidos por especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) preocupados sobre como a austeridade impacta a fruição de

direitos humanos – ver exemplos aqui e aqui.

O vídeo, portanto, é um meio útil para qualquer pessoa tomar contato com as ideias de Keynes e formar uma compreensão inicial de como foram relevantes para o contexto de dificuldades econômicas que emergiram na primeira metade do século passado. São ideias, contudo, que em termos gerais continuam válidas diante de problemas econômicos que ressurgem no início do século atual. O vídeo, nesse sentido, serve também para as pessoas criarem uma base de entendimento sobre a relevância econômica do que dizem os representantes da ONU quando agora criticam as medidas de austeridade por causa de seus efeitos sobre a efetividade de direitos humanos. Todo(a)s o(a)s que consideram importante fazer conexões entre ideias econômicas e jurídicas em perspectiva ampla, mas contextualizada, como é o caso dos membros do GDES, podem-se beneficiar do conteúdo que o vídeo oferece.

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P.S.: O vídeo indicado acima é parte de uma série de três produções, 
cobrindo as ideias de Keynes (ver acima), Hayek (aqui) e Marx (aqui).

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