Uma sociologia crítica da economia política brasileira será útil para juristas

Uma sociologia política capaz de gerar uma crítica competente da economia política nacional ajuda o(a)s juristas a entender vários aspectos do que há muito tempo está fundamentalmente errado com a sociedade brasileira. Daí passa a ser possível perceber o quanto o direito brasileiro tem sido usado como uma trava para a superação de males que secularmente mantêm o Brasil como uma sociedade profundamente injusta e inexoravelmente condenada ao subdesenvolvimento social e econômico.

Há poucos dias, Jessé Souza, sociólogo e ex-presidente do Ipea, lançou seu novo livro, cujo título é: A Elite do Atraso – Da Escravidão à Lava Jato. O livro, que dá continuidade a um trabalho cumulativo mais amplo, resume pontos importantes de uma tal sociologia crítica.

A elite do atraso - capa

Abaixo estão dois vídeos que podem ser úteis para um contato inicial com essa sociologia política crítica. Em seguida, estão alguns trechos de matérias sobre o livro.

O(a)s juristas brasileiro(a)s que desejam reformar as ideias jurídicas numa direção promissora, sem dúvida se beneficiarão de contribuições oferecidas pela sociologia crítica da economia política brasileira, tal como a desenvolvida por Jessé Souza e seu(ua)s coleboradore(a)s.

Quanto ao trabalho do GDES, que se interessa pelo pluralismo institucional e desenvolve a AJPE com o auxílio da abertura interdisciplinar, inclusive a interação com contribuições da sociologia econômica (ver aqui, p. 43 e ss.; e também aplicação aqui) , igualmente haverá benefício em debater os aportes da sociologia crítica indicada, que complementa a crítica das ideias jurídicas contida aqui.

Abaixo, os vídeos e trechos de matérias que dão uma ideia inicial do que está em discussão.

 

 

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Matéria 1 – do sítio Brasil de Fato (excertos):

O principal aspecto que procurei analisar nesse livro foi a construção da elite econômica e do pacto antipopular que se monta no Brasil depois da libertação dos escravos. (…)

A elite paulistana constrói um aparato simbólico quando perde o estado para as forças comandadas por Getúlio Vargas na revolução de 1930. Ali se monta o bloco antipopular que vai marcar o Brasil moderno. E essa elite foi sofisticada: ela tinha o poder econômico e tinha perdido o poder político. Ela decidiu criar um poder ideológico, para que, mesmo longe do poder político, ela pudesse reconquistá-lo e manter a dominação sobre a sociedade como um todo pelo nível das ideias.

Essa elite começa a dizer que o grande problema nacional é o patrimonialismo. Esse conceito não é o único, um outro conceito criado na USP [Universidade de São Paulo], na década de 1960, chamado de populismo.

O patrimonialismo e populismo são as duas ideias mais importantes para a dominação conservadora entre nós, porque elas são os dois pilares de um tipo muito específico de liberalismo que se constrói no Brasil e que é extremamente conservador, porque aposta na exaltação do mercado e aposta na falência do estado.

Matéria 2 – da Rede Brasil Atual (excertos):

Para o professor Jessé Souza (…) a elite do país manipula a classe média para perpetuar a ‘ralé’

O professor e sociólogo Jessé Souza não esconde que o seu objetivo é ambicioso: reescrever a história da formação da sociedade brasileira, confrontando pensadores como Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda. A premissa de A Elite do Atraso – Da Escravidão à Lava Jato (Casa da Palavra/Leya), que teve lançamento ontem (9) à noite em São Paulo, é de que os chamados donos do poder perpetuaram um modelo baseado na servidão, simbolizada pela “ralé” dos dias atuais. ‘É uma elite que entrega o país, sempre entregou, sempre produziu golpes de Estado’, afirmou o autor (…).

E a elite econômica brasileira mantém o modelo da elite escravagista. ‘De rapina, mesquinha’, como define o autor. ‘Não planeja o futuro a longo prazo. Ela quer o agora, quer vender o petróleo agora, a água.’

[As elites do atraso querem] condenar o Estado, identificado apenas como fonte de corrupção, ignorando o que o sociólogo chama de ‘verdadeiro roubo’, que são, por exemplo, os juros, os oligopólios, a dívida pública, planos de saúde ligados a bancos. ‘O sistema político inteiro foi montado para ser corrupto, para ser comprado pelo mercado.’

 

 

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