Mercados financeiros hierárquicos

Um esforço para estimular novas ideias e concepções sobre a ecomomia de mercado está acontecendo no evento “Institute for New Economic Thinking’s (INET) Paradigm Lost Conference” em Berlim, entre 12 e 15 de abril corrente [2012] (ver aqui e o programa da conferência aqui). Inúmeros vídeos de palestras estão sendo publicados na internet, como pode ser visto por quem visitar o website indicado.

Uma das palestras foi dada pela profa. Katharina Pistor, da Universidade de Columbia. O vídeo está disponível aqui (duração de cerca de 15mins). Em sua palestra, Pistor mostra que os atuais mercados financeiros (na verdade, toda a institucionalidade das finanças privadas e públicas) não se pautam pela igualdade, mas são hierárquicos e hierarquizantes. As instituições, incluindo leis e regulações, determinam quem se beneficia e quem perde.

Como ilustração do caráter hirárquico e hierarquizante das finanças em sua atual configuração, Pistor mostrou o conhecido gráfico representativo da contabilidade do Federal Reserve (ou “Fed”, o banco central dos Estados Unidos) para o período 2007-2009. Um dos pontos que o gráfico ajuda a esclarecer é que, quando foram tomadas providências de “socorro” aos mercados em crise, nem todos puderam “internalizar”, nas contas do Fed, os seus “ativos” atingidos pelas oscilações de valor, e obter dinheiro em troca. Como diz Pistor (abordando um fato já comentado amplamente por outros observadores), os intermediários financeiros, mas não adquirentes de casa própria, foram beneficiados; alguns bancos centrais no mundo, mas não todos, receberam esquemas de swaps cambiais. E isto, conforme argumenta Pistor, indica que o Fed está no topo da hierarquia, no nível doméstico e também globalmente.

Há outros pontos de interesse na breve apresentação da Pistor, como por exemplo, sobre como a crise nos mercados de crédito se estruturou em países do leste europeu. E há a defesa do argumento, muito plausível, de que, na presença de mercados financeiros hierárquicos, os reguladores devem tomar nota disso, e rejeitar a padronização da regulação para evitar que a dinâmica desses mercados acabe sendo algo como um jogo de cartas marcadas.

Os membros do GDES não terão dificuldade de entender como a Análise Jurídica da Política Econômica (AJPE) é capaz de complementar argumentos tais quais os apresentados por Pistor. Confiram o vídeo e bom proveito.

2 Responses to Mercados financeiros hierárquicos

  1. […] mercados financeiros, regulados à luz dos pressupostos já mencionados, que favorecem seu caráter hierarquizante e propagador de instabilidades, tornando-os escassamente conciliáveis como asseguramento da […]

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  2. […] é um argumento hoje sem credibilidade (hoje sabe-se, por exemplo, que os mercados financeiros têm efeitos hierarquizantes). Novas estratégias de política econômica, associadas a novos fundamentos institucionais e […]

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