Reformadores ‘alternativos’ emergem dos protestos em Israel: com que chances de mudar a realidade?

Os recentes protestos de rua dos israelenses contra o alto custo de vida e contra a política econômica do atual governo tem convulsionado a sociedade local (ver aqui e aqui).

Desses protestos, ao que parece, emergiu ontem (15-ago-2011) um time de acadêmicos e figuras públicas que promete propor reformas alternativas às que foram encomendadas pelo governo a uma comissão chefiada pelo economista Manuel Trajtenberg (ver aqui).

Membros da comissão ‘alternativa’ tem expressado ideias diferentes das consideradas ‘ortodoxas’ sobre como a economia deve ser organizada. Disseram eles, por exemplo: “A política que cria o fenômeno abrangente e vergonhoso dos trabalhadores pobres é inaceitável”. E criticaram as políticas que criaram “enormes diferenças sociais, a ganância e deterioração nos serviços públicos de educação, assistência social e saúde”.

Diante das reformas econômicas que frustram a fruição de direitos em muitos países, os ingleses, quando não se entregam aos protestos de rua, se limitam a auscultar membros do seu tímido shadow cabinet; os franceses inventaram os seus économistes attérrés. Nos Estados Unidos, o energizado movimento Tea Party, por meio de seus correligionários no Congresso e de apoios midiáticos como o do canal de TV, Fox News, imprensou Barack Obama usando as regras constitucionais de elaboração orçamentária. Os italianos e espanhóis (assim como os portugueses e irlandeses) parecem depender do que decidirem o governo alemão e o Banco Central Europeu. Já em Israel, os membros da comissão de reformadores ‘alternativos’ ecoam mais diretamente (ao que parece) o reclamo dos que protestam nas ruas e nos acampamentos de jovens.

Qual será o efeito prático para a realização de reformas alternativas em cada caso? No passado, a haute finance, controladora oficiosa do Padrão Ouro Internacional, dava as cartas num cenário de representação limitada de interesses, em que prevalecia o modelo censitário de democracia. E agora? Qual será, desta vez, o desenlace do conflito entre os interesses democraticamente representados e as movimentações financeiras dos chamados bond vigilantes? Será isto uma prévia do que o futuro nos reserva? Se for, será fácil concluir: terá faltado mais criatividade política e jurídica em lidar com a crise.

E, nesse cenário de desorientação, bem que o Brasil, embalado nos ‘bons ventos’ de sua ‘boa’ imagem internacional de hoje, poderia exercer uma parcela de liderança internacional em favor de um outro padrão de organização econômica, se estivesse munido de boas ideias.

2 Responses to Reformadores ‘alternativos’ emergem dos protestos em Israel: com que chances de mudar a realidade?

  1. […] casos, com destaque especial) a política econômica. Na Inglaterra e França, na Espanha, em Israel, nos Estados Unidos, no Chile etc. Em todos os casos, a fruição de direitos pela classe média […]

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  2. […] 2008, e que tem gerado incontáveis protestos de rua mundo afora (ver exemplos aqui, aqui, aqui e aqui). A ausência de debate jurídico sobre as reformas econômicas denuncia a falta, no âmbito da […]

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