Fusões de bolsas apresentam desafios estratégicos (e jurídicos) para Brics

O valor estratégico de mercados financeiros decorre do fato de que — conforme já indicado aqui — “não é interesse apenas dos financistas (setor privado), mas também do Estado, que as empresas financeiras nacionais (privadas) tenham capacidade de serem líderes internacionais em seu ramo.”  Tais interesses complementares se explicam: “onde as finanças lideram, os negócios da economia real ganham vantagem relativa.”

Dito isto, para quem tem interesse na construção do valor estratégico de mercados financeiros (uma tarefa tanto política quanto jurídica — e também advocatícia), vale a pena pensar nas potenciais implicações, no campo da política de defesa da concorrência (PDC), das fusões de bolsas, tais como a que uniu a New York Stock Exchange e a Euronext (criando a NYSE Euronext) e a que tem sido anunciada (ver também aqui), envolvendo, além da NYSE Euronext, a Nasdaq, a Intercontinental Exchange (ICE) e a Deutsche Boerse. E há recentes movimentações relativas à fusão das bolsas de Londres e Toronto.

Neste cenário, permanece em aberto a questão: Qual deveria ser a estratégia de bolsas como a Bovespa, a de Mumbai, a de Xangai e outras, perante as fusões e tendências de fusões mencionadas? Valeria a pena costurar alianças e/ou montar linha de ação que explorassem litígios perante autoridades de defesa da concorrência para preservar a competitividade dos mercados financeiros do Sul global?

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[Atualização 17-mai-2011: Por causa de questões jurídicas levantadas pelo DoJ (o Ministério da Justiça dos EUA), a Nasdaq e a Intercontinental Exchange recuaram em sua oferta de fusão com a NYSE Euronext — ver notícia da publicação Global Competition Review aqui (leitura do texto integral apenas para assinantes) (agradecimentos a Marcelo Maciel pela indicação).]

[Atualização 4-jun-2011: No caso dos planos de fusão entre a bolsa de Londres e a de Toronto, a autoridade concorrencial Canadense se pronunciou no sentido de que não agirá para coibir a operação, embora a completa legalidade da pretendida fusão ainda esteja sendo avaliada do ponto de vista da aplicação do Investment Canada Act – ver aqui.]

One Response to Fusões de bolsas apresentam desafios estratégicos (e jurídicos) para Brics

  1. […] da indústria financeira potencial ou efetivamente alcançada por suas regulações (ver exemplos aqui e aqui), permanecem pouco animadoras as perspectivas de que tais regulações estarão a serviço […]

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