O que esperar de Pittsburgh

Dentro de umas duas semanas (24-25 de setembro de 2009), haverá mais uma reunião do G20. Desta vez, ocorrerá na cidade de Pittsbugh, nos Estados Unidos (EUA) — ver aqui. Nessa reunião, diversos líderes de países política e economicamente importantes no mundo se reunirão para tentar coordenar suas ações em face da crise financeira e econômica que eclodiu no ano passado a partir do estouro da “bolha” do mercado imobiliário nos EUA.

Mas o que se deve esperar como resultado dessa reunião? Por enquanto são poucos os sinais de que haverá maiores novidades. Ao contrário, há indícios de que reformas mais eficazes serão evitadas. Alguns desses indícios estão expostos abaixo.

Embora seja reconhecido que há necessidade de uma profunda reforma estrutural na regulação financeira no mundo, os EUA resistem a aceitar a criação de um novo mecanismo de cooperação internacional para este fim (ver aqui). No lugar disso, continuam preferindo a “auto-regulação”  dos mercados (conforme sustentam há muito tempo — ver aqui), aceitando como suposta “novidade” apenas poiar o início de uma simples discussão sobre a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), que parece um tanto “esvaziada” (ver aqui).

Por outro lado, reformas na regulação financeira nacional dos EUA não avançam e parecem fadadas a fracassar ou a serem excessivamente tímidas. O título do artigo publicado sobre o assunto hoje (12-set.-2009) pelo jornal The New York Times é claro: “Um Ano Após um Cataclisma, Há Poucas Mudanças em Wall Street”. Propostas de reforma sobre uma questão pontual, porém importante para ajudar na mudança do modelo de negócios de instituições financeiras — a exorbitante remuneração de executivos financeiros (ver também aqui) — parecem igualmente fadadas ao fracasso político. Mercados de derivativos, ao que se percebe, não serão tocados por regulação que dê publicidade a informações cruciais (ver discussões aqui e aqui), conforme avalia o artigo do New York Times.

Finalmente o mais provável é que terão chances irrisórias também as propostas de autoridades da Inglaterra e da Alemanha, favoráveis introdução de um imposto global sobre operações financeiras, em linhas semelhantes ao que se conhece como “Tobin tax” (ver aqui e aqui).

Em uma frase de chamada para um fórum virtual de discussão sobre a matéria, o New York Times pergunta: “Por que é tão difícil regular Wall Street? Será que a indústria financeira foi sempre mais hábil em bloquear reformas do que outras indústrias?” Vários autores oferecem respostas. Elas se acrescentam aos comentários do professor Simon Johnson, registrados em seu artigo “O Golpe Silencioso”, publicado em maio-2009 na revista The Atlantic.

Portanto, o quadro, por enquanto, parece indicar que as “‘cadeias alimentares’ serão recompostas“. Apesar disso, um olhar menos pessimista pode entender que, num mundo dinâmico como o de hoje, mudanças podem ocorrer ainda no espaço de duas semanas.

One Response to O que esperar de Pittsburgh

  1. […] movimentação política no sentido de ampliar o fórum de concertação monetária do G7 para o G20, mas é preciso ver ainda como ficará a efetiva distribuição de autoridade entre os diversos […]

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