Cartão de crédito islâmico

Uma evidência adicional de que há muitas maneiras de se organizar a economia está na existência das chamadas “finanças islâmicas”, conforme já apontado.

Sobre este tema, vale a pena registrar, também, que, conforme indicado em matéria do Indian Economy Blog (ver aqui), há um público preocupado em usar produtos financeiros que sejam compatíveis com visões articuladas e explícitas de bem moral. É o caso dos produtos financeiros compatíveis com a Sharia (são os produtos e serviços chamados “Shariah-compliant”). Segundo a matéria do Indian Economy Blog, há muitos clientes de bancos na India que fazem questão de respeitar a proibição islâmica da cobrança de juros. E o fazem de várias maneiras, dentre as quais:

  1. Não investem em fundos mútuos com um compenente de dívida;
  2. Doam, para ações caritativas, os juros sobre as suas contas-salário; e
  3. Unsam contas correntes sem rendimento (zero-interest current account), ao invés de contas de poupança.

Além disso, a matéria registra que o banco HSBC lançou produtos “Shariah-compliant” de sucesso, incluindo financiamento de compra de imóveis, hipotecas, cartão de cobrança diferida MasterCard, contas de investimento etc. (ver aqui — e clique em “select a service“). E registra, ainda, que o uso do cartão de crédito Visa, em um modelo também compatível com a Shariah, o Saadiq credit card oferecido pela Standard Chartered, dos Emirados Árabes (ver aquiaqui), encontra boa demanda entre clientes islâmicos. É interessante notar que este cartão de crédito tem a sua compatibilidade com a Sharia atestada (em uma espécie de certificação moral e jurídica) por dois especialistas de renome, sendo um deles doutor em direito islâmico pela Universidade Al Azhar, do Cairo, Egito (ver aqui).

Nesses fatos envidencia-se que o campo está aberto para a variação das formas institucionais da organização de mercados — inclusive mercados financeiros. Não são os valores culturais e as noções de “bem” moral que devem ser subordinados a mercados: muito ao contrário. Os juristas podem contribuir em esforços de análise das instituições econômicas de modo a torná-las meios de promoção de noções não-econômicas do bem. Não é apenas o que acontece na City londrina, em Wall Street ou outros centros financeiros ocidentais que deve inspirar o que pode se tornar digno de ser cultivado.

[Atualização 02-nov-2011: Sobre cartão de crédito islâmico (incluindo informações sobre as figuras jurídicas financeiras chamadas Ijarah, Kafalah, QardhBay Al-Inah), ver ainda aqui]

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Ver neste blog as matérias correlatas:

2 Responses to Cartão de crédito islâmico

  1. […] o caso dos juristas do direito islâmico, inventores e gestores das finanças islâmicas (ver aqui, aqui e […]

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  2. […] of information on Islamic finance were offered a while ago in this blog (in Portuguese, here, here and here). New info on some recent trends in the world of Islamic finance can be found in this […]

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