Mais segredos das finanças globais

Vários fatores que em tese contrariam o direito de acesso à informação fazem parte do funcionamento de importantes instituições econômicas hoje.

Assim, (a) a instransparência financeira, (b) a existência de paraísos fiscais, (c) a regulação financeira privada tornam difícil assegurar que o debate público ocorrerá, e que o interesse público prevalecerá, com referência a muitas práticas de mercados globais e mesmo nacionais.

Além disso, a dificuldade em submeter algumas organizações ao crivo da justiça parece ser também um fator que contribui para que a dinâmica econômica tenha impactos maléficos sobre as diversas sociedades no mundo contemporâneo.

A este respeito, vale a pena registrar as informações publicadas em blog do jornal The Guardian, em matéria de autoria de Prem Sikka.

Segundo Sikka:

  • A contabilidade no mundo é dominada por quatro grandes empresas do ramo — as chamadas “Quatro Grandes” (the Big Four). São elas: PricewaterhouseCoopers, Deloitte & Touche, Ernst & Young e KPMG (seguidas pela ascendente Grant Thornton).
  •  A renda global combinada das Quatro Grandes monta a 8 bilhões de dólares por ano.
  • Elas são controladas por trusts (fundos) secretos sediados em paraísos fiscais (Ilhas Bermudas e Suiça).
  • Há procedimentos em países como a Itália e os Estados Unidos que têm procurado reprimir a prática de ilegalidades por tais empresas, mas, em especial, tem faltado ao governo inglês iniciativa para atuar em diversos casos (envolvendo possivelmente elisão fiscal, lavagem de dinheiro e práticas cartelistas) que demandariam fiscalizações mais efetivas.

Em semelhante linha de argumentação, um relatório da Tax Justice Network alega que as Quatro Grandes empresas de contabilidade legitimam os paraísos fiscais.

A falta de transparência e publicidade que preside muitas práticas das finanças globais é sem dúvida criticável. A permanência dessas condições, como prerrogativas legais (que aliás denotam defeituosa cooperação internacional e facilitam fraudes), mereceria ser submetida ao debate jurídico mais amplo e mais preocupado com as possíveis violações aos direitos humanos que podem resultar do sigilo generalizado.

2 Responses to Mais segredos das finanças globais

  1. marcelomaciel says:

    O seguinte artigo da Economist também trata dos problemas surgidos da alta concentração no mercado de auditoria: http://www.economist.com/research/articlesBySubject/displaystory.cfm?subjectid=1290116&story_id=7911264

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  2. marcusfaro says:

    Realmente, é muito útil o artigo da The Economist, Marcelo. Grato.

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