A globalização produz injustiça; mas qual a saída?

Tem suscitado cometários o artigo publicado em 24 de maio de 2007 no The Wall Street Journal, com o título: “Os ganhos da globalização vêm com um preço” [“Globalization’s gains come with a price“]. Veja o texto disponível aqui.

A matéria — em grande parte apoiada no artigo acadêmico intitulado “Efeitos distributivos da globalização em países em desenvolvimento”, publicado no Journal of Economic Literature em março de 2007 — sublinha que a globalização (especialmente a liberalização comercial) prometeu melhorar vida dos trabalhadores com salários baixos em países em desenvolvimento. Porém, ocorreram “conseqüências inesperadas”. Qual a surpresa? Resposta: a desigualdade entre os que têm mais renda e os que têm menos aumentou, não apenas nos Estados Unidos, mas também em países como México, Argentina, Índia e China. Em outras palavras: a “globalização está criando mais desigualdade”. E, por que não dizer, mais injustiça?

A chave dessa “surpresa” — para alguns, um velho truísmo — parece estar em que a globalização premia os trabalhadores mais qualificados e penaliza os menos qualificados. O artigo destaca: “As conseqüências do aumento da desigualdade de renda são profundas. Aqueles sem muita educação ou habilidades freqüentemente se vêem presos a empregos na economia informal que não dão direito a assistência à saúde ou pensões”.

Esse aumento da desigualdade, enfatiza ainda o artigo, tem levado a muitos questionamentos sobre (a) o quanto de desigualdade os países podem suportar e sobre (b) se esse aumento da desigualdade pode acabar produzindo uma reação contra a liberalização comercial e de investimentos mundo afora.

Uma outra reportagem, do jornal The Independent, assinala que a desigualdade entre os que têm mais e os que têm menos aumentou nos Estados Unidos sob as políticas do atual governo.

Os fatos falam por si mesmos: o destino dos indivíduos e grupos hoje, inclusive sua capacidade de gozar de seus direitos formais, está em grande parte atrelado a decisões que são tomadas no campo da política econômica, incluindo as práticas de cooperação econômica internacional. E parece claro que, minimamente, a proteção (ou falta de proteção?) do direito à educação (ver também aqui) está diretamente implicada no aumento da desigualdade resultante da “globalização”. Mas a causa da desigualdade tampouco está aí — pelo menos segundo os dados citados por Krugman em relação ao crescimento da disgualdade nos EUA.

Um pensamento final: se a política econômica gera injustiças, deveriam os juristas ter mais o que dizer, com suficiente apuro analítico, sobre as decisões que a estruturam. Para isto procura contribuir a “Análise Jurídica da Política Econômica” (AJPE).

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Veja neste blog a matéria correlata:

One Response to A globalização produz injustiça; mas qual a saída?

  1. […] – traz também malefícios: degradação ambiental; aumento da desigualdade (também aqui); limitações (por meio de regimes de propriedade intelectual rígidos e restritivos) impostas à […]

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