Mercados financeiros hierárquicos

15/04/2012

Um esforço para estimular novas ideias e concepções sobre a ecomomia de mercado está acontecendo no evento “Institute for New Economic Thinking’s (INET) Paradigm Lost Conference” em Berlim, entre 12 e 15 de abril corrente (ver aqui e o programa da conferência aqui). Inúmeros vídeos de palestras estão sendo publicados na internet, como pode ser visto por quem visitar o website indicado.

Uma das palestras foi dada pela profa. Katharina Pistor, da Universidade de Columbia. O vídeo está disponível aqui (duração de cerca de 15mins). Em sua palestra, Pistor mostra que os atuais mercados financeiros (na verdade, toda a institucionalidade das finanças privadas e públicas) não se pautam pela igualdade, mas são hierárquicos e hierarquizantes. As instituições, incluindo leis e regulações, determinam quem se beneficia e quem perde.

Como ilustração do caráter hirárquico e hierarquizante das finanças em sua atual configuração, Pistor mostrou Leia o resto deste post »


A política da contabilidade e os direitos

17/11/2010

A imprensa noticia hoje (17-nov-2010) que a empresa de contabilidade Deloitte “maquiou rombo” de mais de R$ 2 bilhões no Banco PanAmericano. Segundo a notícia, “[a] Deloitte é a maior empresa de auditoria do mundo e não apontou os problemas que o PanAmericano tinha ao auditar o balanço de 2009″. Obviamente, isto indica (como já sugerido, por exemplo, aquiaqui) que a contabilidade não é neutra, nem é puramente técnica.

Certamente, em uma economia de mercado, na qual os mercados financeiros e suas articulações com a economia real têm um papel determinante de vários processos e escolhas estratégicas de agentes econômicos, a contabilidade necessita ser sofisticada do ponto de vista técnico. Porém, isto não exclui seu caráter político. Assim, é fato conhecido, por exemplo, que as chamadas “Big 4″ do mundo da contabilidade fazem doações para campanhas de políticos, em seu interesse ou no de clientes.

Com efeito, Leia o resto deste post »


Novas perspectivas sobre a regulação financeira desprezam direitos humanos

05/11/2009

Já foi dito neste blog que os reguladores de bancos e de mercados financeiros deveriam preocupar-se em estabelecer critérios que objetivassem fazer declinar a prática da especulação irresponsável. Um ancoramento jurídico de (A) procedimentos de (i) gerenciamento de risco e (ii) geração de informações contábeis, utilizados na estruturação de agregados contratuais em (B) critérios quantificáveis de proteção a direitos fundamentais e direitos humanos seria um caminho para isto. Ver discussão aqui. (E, sobre a quantificação de direitos, ver link correspondente, na coluna de “categorias” à direita.)

Contudo, economistas, ao que parece, estão lidando com a especulação financeira em outros termos. Segundo Leia o resto deste post »


Regras contábeis geram vantagens criticáveis

10/09/2009

Já foi apontado neste blog (ver aqui e aqui) que os padrões estabelecidos pela entidade International Accounting Standards Board (IASB) para a produção de informações financeiras sobre empresas relacionam-se também às possibilidade de fruição de direitos e de desenvolvimento econômico para indivíduos e grupos mundo afora. Diante disto, parece muito claro que as regras de contabilidade empresarial, quando prejudicarem tais possibilidades, devem ser reformadas.

Hoje, segundo notícia do website Leia o resto deste post »


Poderá existir a especulação responsável?

23/03/2009

Ninguém parece ter dúvida de que dois aspectos importantes da crise financeira de 2008, com prolongamentos até hoje, correspondem às regras sobre geração de informações contábeis e de gerenciamento de risco, seguidas por bancos e outras empresas. Estes tópicos serão brevemente abordados abaixo.

Gerenciamento de Risco

Já foi assinalado neste blog (ver aqui) que as agências de avaliação de risco como a Standard & Poor’s deveriam ser reguladas, uma reforma que parece estar agora sobre a mesa.

Uma outra circunstância, que também contribuiu para agravar a crise, ocorreu Leia o resto deste post »


Padronização contábil global: quais as suas implicações para a fruição de direitos?

06/04/2008

O blog Análise de Balanço indicou há poucos dias a existência de uma controvérsia entre a entidade norte-americana FASB (Financial and Accounting Standards Board) e a IASB (International Accounting Standards Board). Ambas são organizações dedicadas a criar padrões para registro de informação contábil. A controvérsia – noticiada pela publicação CFO.com (a sigla representa a expressão “Chief Financial Officer”), pertencente ao Economist Group – deriva de uma divergência entre ambas entidades com respeito a definições sobre o chamado “valor justo” de instrumentos financeiros. Parece curioso que isto seja assim, uma vez que Leia o resto deste post »


Segredos dos mercados causam malefícios

27/03/2008

Já foi dito neste blog que um dos principais problemas da economia contemporânea é a tendência ao desenvolvimento de formas de “regulação privatizada“. Isto é muito visível nos setores financeiro e de contabilidade (ver aqui, aqui e aqui). Nesse sentido pode ser entendido o comentário de Joseph Ackermann, presidente do Deutsche Bank, publicado no jornal Financial Times há dois dias: “Já não acredito no poder de auto-recuperação [self-healing power] do mercado”.

Parece evidente que a ausência de regulação dos mercados por meio de regras que incorporem o interesse público tende a contribuir para que diversos resultados injustos sejam produzidos, atingindo os direitos dos cidadãos, tal como tem revelado o chamado estouro da bolha imobiliária.

Recente matéria do jornal New York Times (publicada em 23 de março de 2008, com o título: “O que criou este monstro?”) sublinha o quanto são caracterísiticas a ausência de publicidade e abundância de “segredos” na indústria de serviços financeiros. Eis alguns trechos da reportagem: Leia o resto deste post »


Contabilidade, padronização técnica e globalização frustram direitos

12/09/2007

Em matéria publicada há cerca de duas semanas (29 de agosto de 2007) no blog do jornal The Guardian, Prem Sikka, professor de contabilidade da Universidade de Essex, lamenta a falta de publicidade da atuação da entidade privada chamada International Accounting Standards Board (IASB), que formula critérios técnicos padronizados para o exercício da contabilidade e de auditorias em muitas partes do mundo.

Trata-se de mais um exemplo de exercício privado da atividade de regulação por padronização técnica de uma indústria Leia o resto deste post »


Mais segredos das finanças globais

13/06/2007

Vários fatores que em tese contrariam o direito de acesso à informação fazem parte do funcionamento de importantes instituições econômicas hoje.

Assim, (a) a instransparência financeira, (b) a existência de paraísos fiscais, (c) a regulação financeira privada tornam difícil assegurar que o debate público ocorrerá, e que o interesse público prevalecerá, com referência a muitas práticas de mercados globais e mesmo nacionais.

Além disso, a dificuldade em submeter algumas organizações ao crivo da justiça parece ser também um fator que contribui para que a dinâmica econômica tenha impactos maléficos sobre as diversas sociedades no mundo contemporâneo.

A este respeito, vale a pena registrar as informações publicadas em blog do jornal The Guardian, em matéria de autoria de Prem Sikka. Leia o resto deste post »


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