Novos esforços para mudar a teoria econômica

Todos sabem da crise econômica que, em 2008-2009, alastrou-se mundo afora a partir da crise em 2007 no mercado das chamadas hipotecas subprime, nos Estados Unidos (ver aquiaqui e aqui). Porém, é importante observar que, na esteira dessa crise, veio outra: tornou-se rapidamente um truísmo que a economia enquanto disciplina havia falhado em apontar problemas do mundo real, entrando assim, ela também, em crise (para algum material, ver aqui e aqui).

Na verdade, trata-se da crise de um paradigma de pensamento econômico, que se tornou hegemônico na academia e na profissão de assessoramento econômico a governos e organizações. É algo como uma “crise de identidade” da economia enquanto disciplina, atingindo, certamente de maneira mais contundente, o campo da macroeconomia.

Obviamente, dada essa “crise de identidade”, há grupos no mundo criticando o que se passou, mas alguns também procurando catalisar idéias menos desgastadas (do que as do pensamento chamado “neo-clássico”), que sirvam para estabelecer um novo paradigma para a disciplina. No lado prático, ao que parece, consideradas as conclusões da conferência com o título Macro and Growth Policies in the Wake of the Crisis (Políticas Macro e de Crescimento Após a Crise), organizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em março de 2011, tais como resumidas por Olivier Blanchard (atual Diretor do Departamento de Pesquisa do Fundo), não estão no horizonte maiores novidades. Por outro lado, os governos europeus (como os da Inglaterra, França e outros) aderem a fórmulas antigas (traduzidas como “medidas de austeridade”) de política econômica.

No plano das idéias e sua renovação, uma iniciativa pragmaticamente bem ambiciosa — talvez pelo seu alcance prático, derivado de articulações com o Fórum Econômico Mundial, apoios financeiros, redes e parcerias estratégicas com universidades etc. — tomou a forma do Institute for New Economic Thinking (INET) (Instituto para a Renovação do Pensamento Econômico). Um vídeo (muito bem feito) sobre a auto-imagem da instituição pode ser visto aqui. Agora, em abril de 2008, o INET promove — simbolicamente, na localidade de Bretton Woods — uma grande conferência (ver aqui).

Os esforços para a renovação do pensamento econômico, obviamente, são bem-vindos. No caso do INET, há o declarado reconhecimento de que o estudo da economia necessita ser mais interdisciplinar (por exemplo, incorporando mais contribuições da história). Mas o quanto haverá abertura para renovar os entendimentos das relações entre direito e economia? Esta, obviamente, é uma questão que toca à Análise Jurídica da Política Econômica (AJPE).

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Atualização 29-abr-2011:

Uma passagem de um comentário do economista Brad DeLong (publicado aqui) sobre um debate ocorrido na reunião noticiada acima resume uma parte do que se andou comentando no evento:

“[P]recisamos menos dos que teorizam sobre a eficiência de mercados e mais de pessoas que trabalhem em microestrutura, limites à arbitragem e viéses cognitivos. Precisamos menos dos que teorizam sobre equilíbrio nos ciclos econômico-políticos (business cycles) e mais dos keynesianos e monetaristas ao estilo antigo. Precisamos de mais historiadores da moeda e historiadores do pensamento econômico e de menos construtores de modelos. Precisamos de mais Eichengreens, Shillers, Akerlofs, Reinharts e Rogoffs – e também ainda gente como Kindleberger, Minsky, ou Bagehot.”

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Ler também neste blog a matéria correlata:

 

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2 Responses to Novos esforços para mudar a teoria econômica

  1. [...] tempos de desorientação para muitos economistas, um dos resultados de recentes esforços para reformar a organização conceitual da economia tem sido a busca por modos de compreende-la [...]

  2. [...] confusão resultante da crise e a menor pressão internacional, obviamente, criam a necessidade de inovar as ideias econômicas consideradas mais importantes e abre espaço para que passem a ganhar novo fôlego visões menos [...]

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